02/03/2015

Jornais dos EUA repercutem prisão de líder religioso em praia do RN


Alguns dos principais veículos de comunicação
dos Estados Unidos destacaram a prisão, no
litoral do Rio Grande do Norte, do líder religioso
Victor Barnard, acusado de crimes sexuais
(Foto: Reprodução)

A prisão do americano Victor Arden Barnard, de 53 anos, fato ocorrido na noite desta última sexta-feira (27) em um condomínio na praia da Pipa, uma das mais belas e badaladas do litoral potiguar, repercutiu em alguns dos mais conceituados veículos de comunicação dos Estados Unidos, com destaque para os portais na internet do The Whashington Post, The New York Times e CNN. Líder de uma seita religiosa, Barnard responde a 59 acusações de abusos sexuais contra crianças e adolescentes, crimes que teriam ocorrido entre os anos de 2000 e 2012 no estado de Minnesota.

A versão on line do News York Times ressalta que Barnard, preso na superintendência da Polícia Federal em Natal, aguarda a extradição para enfrentar as acusações nos EUA. O mesmo foi publicado na página doWhashington Post. Ambos também trazem uma declaração dada ao Minneapolis Star Tribune por uma das seguidoras do acusado. A jovem chama-se Cindi Currie, que diz ter visitado o River Road Fellowship, acampamento religioso fundado por Barnard em Minnesota, para tentar convencer um amigo a deixar o grupo. "Ele arruinou mais vidas. Esse homem é o diabo encarnado", disse a moça ao jornal.

A CNN reforçou a informação já repassada aoG1 pela Polícia Federal, confirmando que Victor Bernard era procurado pela Organização Internacional de Polícia Criminal, mundialmente conhecida como Interpol, e que ele também figurava na lista dos 15 mais procurados pela agência U.S. Marshal, organização policial americana responsável pela busca e captura de foragidos internacionais.

"A agência U.S. Marshal oferecia uma recompensa de 25 mil dólares (o equivalente a aproximadamente 72 mil reais) para quem desse informações que levassem o acusado à prisão. Contudo, como a Polícia Militar cumpriu com sua obrigação constitucional, assim como a própria Polícia Federal, o dinheiro não será reclamado”, acrescentou o delegado Paulo Henrique Oliveira, superintendente em exercício da PF no Rio Grande do Norte.

Ainda de acordo com o delegado, o americano entrou de forma legal no Brasil em 2012, só sendo considerado procurado internacionalmente a partir de abril de 2014, quando teve mandado de prisão expedido.

A prisão
O tenente da Polícia Militar Daniel Costa participou da prisão do americano. Ele revelou ao G1 que o estrangeiro foi encontrado por volta das 21h em uma casa dentro de um condomínio na paradisíaca praia da Pipa, que fica no município de Tibau do Sul. Escrituras, documentos, agendas, computadores, pendrives, aparelhos e chips celulares foram apreendidos e levados para a sede da Polícia Federal, em Natal.
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“Uma brasileira de 33 anos, que já morou nos Estados Unidos, dava cobertura ao acusado. Ela assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por favorecimento pessoal e foi liberada. Já o americano, foi levado para a superintendência da PF. Havia um mandado de prisão contra ele, incluindo uma ordem de extradição já assinada pelo Supremo Tribunal Federal”, afirmou o oficial.

Ainda segundo o tenente, as informações sobre a presença do americano na Pipa foram repassadas pela Polícia Federal. "Depois disso, demos início a uma operação para prendê-lo. Contamos com o efetivo da PM de Tibau do Sul e da Pipa", acrescentou.
Americano foi detido dentro de um condomínio
(Foto: Daniel Costa/G1)

'Jesus na carne'
De acordo com a imprensa americana, Victor Barnard começou a ser investigado em 2012 no estado americano de Minnesota, quando duas de suas seguidoras resolveram denunciá-lo. Uma delas alegou que vinha sofrendo abusos sexuais desde os 12 anos. Outra, desde os 13 anos, quando ela e a família se juntaram a uma igreja chamada 'River Road Fellowship'. Autoridades disseram que a congregação é um desdobramento do 'The Way International', grupo que se autodenomina cristão.

Em julho de 2000, Barnard criou um grupo de jovens meninas chamado de "Maidens" ou "Alamote", segundo a denúncia. O grupo, que tinha 50 membros, pregava que as meninas deveriam permanecer virgens e nunca se casar.

Na época, ainda de acordo com a denúncia, Barnard pregava que ele próprio representava “Jesus na carne”, e que para ele era normal fazer sexo com suas seguidoras, uma vez que “Cristo tinha tido relações com Maria Madalena e outras mulheres que o seguiam, assim como o rei Salomão havia dormido com muitas concubinas”.

Em 2011, o grupo liderado por Barnard se mudou de Minessota para o estado de Washington. Em novembro de 2012, após ser condenado, a polícia foi atrás de Barnard, mas ele não foi localizado.
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