10/01/2014

Justiça do RN acata denúncia contra ex-vereador suspeito de pistolagem


Odelmo Rodrigues irá a júri popular acusado de
homicídio (Foto: Rafael Barbosa/G1 RN)

A justiça do Rio Grande do Norte acatou denúncia contra o ex-vereador de Assu Odelmo de Moura acusado de comandar uma quadrilha que praticava homicídios na região. Além de Odelmo, foi denunciado pelo Ministério Público o irmão dele, Aureliano Rodrigues da Silva. As denúncias partiram da operação Mal Assombro do Rio do Meio, deflagrada em maio de 2012, que descobriu uma série de crimes de homicídios cometidos há anos na região do Vale do Assu.

De acordo com o Ministério Público Estadual, com a deflagração da operação Mal Assombro iniciou-se o desbaratamento de uma quadrilha integrada por pessoas que cometiam crime de pistolagem ainda existente na região do Vale do Assu, sendo apreendidas armas de fogo e executadas as prisões de diversos suspeitos. Um desses suspeitos é Odelmo de Moura Rodrigues, à época vereador e presidente da Câmara Municipal de Assu, apontado como o suposto líder da quadrilha.

Aureliano Rodrigues da Silva é irmão de Odelmo Rodrigues e foi apontado pelo Ministério Público como um dos mais cruéis e violentos pistoleiros dessa quadrilha. Ele vivia foragido há aproximadamente 15 anos, mas foi localizado e preso no Rio de Janeiro. Logo após ser preso e encaminhado ao Rio Grande do Norte, Aureliano Rodrigues foi julgado em júri popular e condenado a 18 anos por acusação de duplo homicídio praticado na cidade de Paraú.

Em setembro de 2012, o então vereador Odelmo de Moura declarou ao G1 que era vítima de perseguição. "Como é que um homem que chefia uma quadrilha anda tão tranquilo e desarmado pela rua como eu?", disse na ocasião.

Ainda segundo o Ministério Público, a quadrilha se valia da violência de suas ações e da influência política e econômica de seu suposto líder para fazer reinar o temor diante da população e a inércia dos responsáveis pela elucidação dos crimes praticados. Além disso, contava com um código de conduta próprio no qual se determinava a execução sumária - queima de arquivo - daqueles que bandeavam ou davam sinais de que delatariam os crimes perpetrados.

Odelmo de Moura Rodrigues e Aureliano Rodrigues da Silva serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri Popular da Comarca de Natal, em data a ser ainda definida, pelo homicídio de Joaquim Gomes no ano 2000. Joaquim era um ex-integrante da quadrilha e foi executado a tiros dentro do carro na avenida Prudente de Moares, em Natal. No veículo de onde partiram os disparos, haviam quatro homens e o executor dos disparos foi reconhecido por uma testemunha que presenciou o ocorrido e que também foi alvo dos disparos, mas que saiu ilesa.

A investigação desse crime encontrava-se estagnada há anos e só foi concluída com o êxito da Operação Mal Assombro. O prosseguimento da averiguação levou aos nomes de Odelmo Rodrigues – como mandante – e de Aureliano Rodrigues – responsável pelos disparos contra Joaquim Gomes e contra a testemunha ocular. O Ministério Público concluiu que em razão das desavenças entre Joaquim Gomes e integrantes da família Rodrigues e do receio de que aquele se revelasse futuramente como um delator, teria sido orquestrada e levada a efeito a 'queima de arquivo' com a execução de Joaquim Gomes.

FONTE:G1/RN
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