Com o "baque" no setor do petróleo, RN esfria

A desaceleração da atividade petrolífera no estado foi tema de pronunciamento este mês na Câmara de Deputados. O assunto foi levado até Brasília pela deputada federal Sandra Rosado, de Mossoró. "O meu Estado, Rio Grande do Norte, que tem como base econômica a extração do petróleo, hoje sofre com as consequências da diminuição de investimentos por parte da Petrobras, que investe maciçamente na camada pré-sal no litoral do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. Esquecem-se de que o nosso Estado ainda tem petróleo. O resultado dessa retração é o fechamento de empresas que terceirizam seus serviços para a Petrobras e, com isso, dispensam o serviço de milhares de trabalhadores. Hoje o que vemos, principalmente na cidade de Mossoró, é uma onda de demissões em massa, que, no último ano, já alcançou quase 3 mil desempregados", discursou.
Sandra pediu uma audiência com a presidente da Petrobras, Graça Foster, para tentar reverter o quadro. Ainda não há uma data fechada para a reunião. Segundo a deputada, a Petrobras não pode esquecer que o Rio Grande do Norte ainda tem petróleo. "Também não pode esquecer do impacto econômico que causa tal retração e que se investir em tecnologia para pesquisas de exploração também encontrará petróleo de qualidade". 

O cenário atual, segundo ela, já foi alertado há dois anos, por parte do Sindicato dos Petroleiros, em audiência pública, com diretores da Petrobras, na Câmara Municipal de Mossoró, onde discutiu-se a possibilidade de desinvestimento por parte da empresa na região, considerando a recente descoberta do pré-sal. "A situação é tão grave que se não tomarmos uma atitude muito em breve a Petrobras pode deixar de existir não só no Rio Grande do Norte, como também no Ceará e em Aracaju", afirmou, durante o discurso. 

Segundo Pedro Idalino, presidente do Sindipetro, no último mês a Unidade da Petrobras do Rio Grande do Norte-Ceará recebeu um documento da superintendência da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, solicitando a transferência de 379 funcionários para trabalhar na unidade do Rio de Janeiro. Embora sindicatos enxerguem nesta solicitação indícios de esvaziamento da estatal no estado, o subsecretário de Trabalho, Turismo, Indústria e Comércio de Mossoró, Segundo de Paula, afirma que esse risco não existe.

"A Petrobras não deixará de investir no estado. Nós tivemos uma reunião, há um mês, com a Petrobras. Demonstramos nossa preocupação. Eles disseram que não sairão de Mossoró e que estão passando por uma fase de ajustes. Explicaram também que estão licitando novas áreas de exploração", tranquilizou. 

Para Francisco Wendell, coordenador do curso de Engenharia de Petróleo e Gás da Universidade Potiguar, a redução da operação no RN já era esperada. "É claro que a Petrobras vai investir no pré-sal. Com essa bacia enorme, é natural que boa parte dos investimentos migre para lá". Doryan Filgueira, presidente da Redepetro, que reúne empresas que atuam na cadeia do petróleo no estado, também acredita que não há riscos da companhia deixar de investir no estado. 

"É algo temporário. A Petrobras está 'arrumando a casa'. Claro que poderia ser melhor. Se tivesse mais sondas, o quadro seria diferente. Mas essa é uma questão de estratégia da empresa. Agora que eles vão parar com a atividade no estado, não vão".

Informações e Foto: Tribuna do Norte

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