09/12/2014

Professor Luiz Carlos faz perguntas pertinentes sobre financiamento de campanha e reforma política


O ex-vereador e candidato a deputado estadual, professor Luiz Carlos (PMDB), fez questionamentos pertinentes sobre a atuação do seu partido no que tange a questão da distribuição do dinheiro arrecadado durante a campanha.

Em entrevista concedida ao Jornal de Hoje (segue em anexo), o pemedebista se queixou que, enquanto ele, membro da agremiação, só recebeu R$ 40 mil de ajuda financeira, postulantes de outros partidos receberam R$ 600 mil, como foi o caso de Kelps Lima do Solidariedade.
Ele aponta também a incoerência que representa Sgt Regina, com 1,2 mil votos, angariar R$ 200 mil. O citado professor atingiu a marca de 12 mil votos.

“É um dinheiro do partido”, lembra o entrevistado, ao indagar sobre os critérios de rateio da verba e demonstrar a forma pouco democrática que balizou as referidas escolhas.

“E se for financiamento público: quem vai dizer como distribuir o recurso!?”, finalizou.
O debate é fundamental para aqueles que se propõem a refletir sobre uma reforma política.

Amanhã, caso tenhamos a aprovação de financiamento exclusivamente público de campanha e voto em lista fechada, quem terá poder de dizer para onde vai o dinheiro e quais serão os primeiros da lista partidária?
Palpite: tais propostas trarão uma maior oligarquização de todos os partidos. Representam, portanto, um retrocesso. São proposições que beneficiarão apenas quem está no topo da hierarquia de tais organizações políticas.

Do Jornal de Hoje

“Dinheiro não faltou. Se Henrique tivesse distribuído melhor, tinha vencido”

Ex-candidato pelo PMDB reclama das doações feitas pelo Diretório Estadual a outros partidos na eleição 2014


Professor Luiz Carlos afirma que má distribuição dos recursos arrecadados pelo PMDB foi fundamental para a derrota do partido

Professor de Física, Luís Carlos foi eleito vereador de Natal em 2004 e reeleito em 2008, mas acabou perdendo a vaga na Câmara na eleição de 2012. Depois da derrota, acabou de fora, também, da presidência do Diretório Municipal do PMDB. Neste ano, Luís Carlos voltou ao cenário eleitoral e, mesmo com a pouca ajuda financeira da sigla, conseguiu ainda 12,6 mil votos e acabou conseguindo a 7ª suplência da coligação.

Para se ter uma ideia, enquanto recebeu R$ 40 mil do PMDB e teve 12,6 mil votos, Luís Carlos viu a também ex-vereadora Sargento Regina receber R$ 200 mil do Diretório Estadual peemedebista e conseguir, apenas, 1,2 mil votos. Por isso, Luís Carlos não esconde que pode sim ter sido vítima de discriminação.

“Não sei se seria correto, mas talvez tenha sofrido sim discriminação, porque não tive nenhum apoio de Henrique, que é o presidente do meu partido. Até no horário político houve dificuldade. Tive que falar com o ministro Garibaldi Filho para conseguir espaço”, relembrou ele.

Quando relembra que o Diretório Estadual do PMDB conseguiu R$ 42 milhões em doações e, mesmo assim, o partido não conseguiu aumentar seus espaços na Assembleia Legislativa, nem na Câmara Federal e ainda perdeu o Governo do Estado, Luís Carlos acredita que tenha existido má utilização dos recursos.

“Acho que, pelo montante de recursos que ele teve, porque essa matéria mostrou que dinheiro não faltou para a campanha, se tivesse distribuído melhor a verba, teria tido êxito na campanha, porque ele teria dado oportunidade de todo colocar o bloco na rua e trabalhar mais por sua candidatura”, analisou ele.

ERRATA – GETÚLIO RÊGO

O deputado estadual reeleito, Getúlio Rêgo, do DEM, informa que, diferente do que foi publicado na reportagem sobre as doações financeiras, ele não recebeu R$ 400 mil do Diretório Estadual do PMDB, e sim R$ 300 mil. Realmente, houve erro de cálculo d’O Jornal de Hoje nesse ponto.

Os dois cheques enviados pelo PMDB a Getúlio Rêgo, um no dia 28 de agosto e outro no dia 23 de setembro, tiveram os valores de R$ 200 mil e R$ 100 mil. Este último, inclusive, repassado ao democrata após doação da Queiroz Galvão aos peemedebistas. A marca, relembra-se, é uma das investigadas no esquema de corrupção de Petrobras.

No entanto, Getúlio Rêgo deixa claro que não há qualquer irregularidade nas doações recebidas para sua campanha por parte do PMDB.

“Henrique Alves agiu como o dono do PMDB e doações não foram discutidas”

Ouvir várias vezes que o partido não tem dinheiro para custear sua campanha mas, depois, ficar sabendo que o recurso que negado foi usado para sustentar a campanha de outras siglas. Pois é. Foi isso que aconteceu com o ex-vereador Professor Luis Carlos, que foi candidato a deputado estadual pelo PMDB. Ele ouviu, diversas vezes, que o Diretório Estadual da sigla, comandando pelo próprio Henrique, não tinha condição de ajudar financeiramente sua campanha. Contudo, após encerrada a disputa, Luís Carlos ficou sabendo das doações milionárias a outros candidatos. Diante disso, agora o ex-candidato cobra democracia dentro dos partidos e questiona: imagine se esse dinheiro fosse público?

“A minha insatisfação é porque apoiamos Henrique governador, que é do nosso partido, e não tivemos qualquer ajuda para custear os gastos da campanha. A única ajuda que recebi do Diretório Estadual foi porque apoiei o candidato a federal, Walter Alves, e ele viabilizou isso, porque se não a situação teria sido ainda pior”, relatou Luís Carlos em contato com O Jornal de Hoje, após publicar um “desabafo” no seu perfil pessoal no Facebook.

O “desabafo” foi divulgado junto a matéria publicada pelo JH detalhando a destinação dos R$ 41 milhões arrecadados pelo Diretório Estadual do PMDB. Boa parte dos recursos foram doados para candidaturas de outros partidos. Wilma de Faria, do PSB, por exemplo, recebeu R$ 8 milhões do PMDB para disputar o Senado Federal. Kelps Lima, do Solidariedade, R$ 600 mil, mas que os peemedebistas eleitos Álvaro Dias, Nelter Queiroz, Gustavo Carvalho e Ezequiel Ferreira. E mais, claro, que Luís Carlos, que recebeu apenas R$ 40 mil.

“Essa situação precisa ser revista, porque imagine aí se esse fosse dinheiro público. Querem colocar financiamento público em campanha, mas o que adianta se esses valores vão ser geridos por pessoas que se colocam como donos dos partidos? Acredito que tem que haver, primeiro, a abertura dentro dos diretórios, acabar com o nepotismo, reeleição apenas uma vez, no máximo, para dar oportunidade e tudo ser votado. As discussões tem que ser votadas, se não ficará só uma pessoa, que se acha dona, gerindo o dinheiro público que recebe”, criticou Luís Carlos.

“Digo isso porque a gente viu essa situação (da doação a candidatos de outros partidos) só depois que a campanha terminou. Acabou a eleição, o Tribunal divulgou esses dados e a gente viu que o deputado Kelps Lima, por exemplo, recebeu R$ 600 mil do PMDB. Mais que os peemedebistas. Quem foi que deu esse dinheiro? Houve votação? Não houve! As doações não foram discutidas internamente. Não foi uma decisão democrática. Simplesmente deram. Aí, amanhã, o TRE pode julgar que esse dinheiro foi para comprar apoio, como fica?”, questionou Luís Carlos.

Sobre Kelps Lima, inclusive, o ex-vereador de Natal ressaltou o “histórico” do deputado estadual reeleito. Primeiro, pelo fato dele ter sido o último a anunciar o apoio a Henrique, enquanto muitos correligionários já estavam “fechados” com o candidato peemedebista desde que ele disse que seria candidato. Depois, pelo que Kelps já falou.

“Lembro que Kelps dizia num vídeo que esse Estado tinha que deixar de ter um rei e uma rainha, se referindo a Henrique e a Wilma, e agora aparece essa situação… É complicado, até porque não foi só ele que recebeu essa ajuda e teve posturas assim”, afirmou Kelps Lima.

Questionado se Henrique Alves se colocava, então, como dono do partido, o Professor Luís Carlos não titubeou. “Sim. E não acho que seja só ele não. Cada partido tem um como se fosse seu dono. Kelps é o dono do dele, Wilma o dono do dela. Falta democracia nas siglas. Os presidentes se colocam como donos”, ressaltou.

Anterior Proxima Página inicial