22/11/2014

Universitário apodiense desabafou e revelou a situação dos estudantes que não podem se deslocar por conta própria até Mossoró.


(Associação dos Estudantes de Nível Técnico e Superior de Apodi).
"Oi amigos Web-Leitores do blog do Cassinho Morais, Meu nome é Júnior Oliveira, sou estudante do curso de Geografia do campus da UERN Mossoró. Gostaria de deixar aqui o meu depoimento sobre a situação dos estudantes de nível técnico e superior que utilizam os ônibus pagos pela prefeitura. Todo mundo sabe que estamos passando por problemas, mas talvez não sabe a gravidade. 

Devido diversos fatores (ônibus sem condições de rodar, superlotação, motoristas sem o curso que é necessário para transportar alunos, denúncias por parte de alguns estudantes) os ônibus estão paralisados. 

Os alunos estão se virando como podem: alguns foram morar em Mossoró, outros foram morar em Felipe Guerra e utilizam os ônibus de lá. Uns estão indo de táxi ou no ônibus e algumas vans que foram contratados por alguns alunos, de carro próprio ou de moto. Os que não têm condições de pagar nem de ir morar em Mossoró estão sendo reprovados. Tem alunos já falando em trancar o curso. 

Enfim! Agora o poder público municipal se posicionou e disse que irá fazer mudanças no programa Transformação para o ano de 2015. As mudanças seriam debatidas entre Prefeitura, Ministério Público e a AENTS (Associação dos Estudantes de Nível Técnico e Superior de Apodi). Mas, da mesma forma que a Lei da gratuidade foi criada sem a participação dos alunos, me parece que as mudanças serão realizadas apenas pela Prefeitura de Apodi. 

Digo isso devido a AENTS ter pensando numa solução para o problema, a gente ia defender a criação de uma taxa única para todos os alunos, assim todos poderiam complementar o dinheiro para pagar o serviço. Mas de uma hora para outra vi uma convocação da Prefeitura de Apodi, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social e da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, para os alunos fazerem um cadastro estudantil. 

O objetivo é saber a renda dos alunos e criar valores diferentes. Ora, não vejo necessidade de fazer nenhum outro cadastro. A AENTS já tem o número de alunos, o curso e a instituição de cada um, tem a relação dos alunos por ônibus. Então não precisa de cadastro para saber a renda, pois a associação defende uma taxa única. 

É inviável a diferença de valor, pois muitos ficarão isentos e poucos pagarão muito caro. Além de não ouvirem a gente, pessoas que não conhecem a nossa realidade fazem algo sem pensar, pois o cronograma para a realização do cadastro é inviável, colocaram um dia por instituição, sendo que muitos moram em Mossoró e a agora uns em Felipe Guerra. Esses alunos só vêm no fim de semana. Como vão fazer esse cadastro? A prefeitura mais uma vez tira a autonomia da AENTS, e depois quer culpar a gente pelo não funcionamento do programa. 

Eu só espero que depois que essa ideia da prefeitura não funcionar, a culpa não caia para cima dos alunos de novo. Pois quem está sendo apontado pelo problema atual é a classe estudantil. Mas a empresa com ônibus sem condições de realizar o trajeto não foi contrata por nós. Os alunos não são culpados pela superlotação. 

Talvez alguém diga: antes era do mesmo jeito. Sim, era! Mas estamos no presente, o passado não interessa mais. Permanecer no erro é burrice. Termino dizendo que eu até posso fazer esse cadastro, mas desde que o presidente da AENTS convoque os alunos para isso. E peço a prefeitura que não tire o nosso poder de opinar. Nós estamos ali todos os dias, sabemos que essa ideia que ela tem não irá funcionar. Ouça a nossa classe. Não tire a nossa autonomia."
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