02/09/2014

Mais de 2.000 presos mantêm greve de fome nos presídios do RN


Dos 900 presos da Penitenciária de Alcaçuz, 550 fizeram greve de fome (Foto: Henrique Dovalle/G1)

A greve de fome iniciada nesta segunda-feira (1) no sistema penitenciário do Rio Grande do Norte foi aderida por mais de dois mil detentos de pelo menos seis unidades prisionais. O levantamento foi feito pelo G1 com base nos dados repassados pela Coordenadoria de Administração Penitenciária do Estado (Coape) e diretores dos presídios em que os apenados ficaram sem se alimentar. A Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania ainda não sabe o que motivou a greve de fome de 2.157 presos.

A coordenadora de Administração Penitenciária, Dinorá Simas, conta que os presos não aceitaram comer o café da manhã, o almoço, o jantar e o lanche da noite. Para evitar o desperdício da comida, alguns diretores de presídios redistribuíram as quentinhas entre apenados que não aderiram à greve de forme ou fizeram doações. No entanto, na maioria dos casos, a comida estragou. "Acreditamos que a movimentação começou hoje porque os detentos estão com suprimentos por causa das visitas do fim de semana", diz Dinorá Simas. Os presos não fizeram nenhuma reivindicação até o momento.

Está confirmada a greve de fome em seis unidades: Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta; Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, conhecida como Pavilhão 5 de Alcaçuz; Penitenciária Estadual de Parnamirim; Cadeia Pública de Natal; Penitenciária Estadual do Seridó, em Caicó; e Centro de Detenção Provisória de Ceará-Mirim. A coordenadora de Administração Penitenciária vai se reunir com todos os diretores nesta terça-feira (2) para avaliar a situação de cada unidade prisional e estudar medidas.

Na Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, a
maioria dos detentos evitou as refeições
(Foto: Ricardo Araújo/G1)

Situação nos presídios
Na Penitenciária de Alcaçuz, maior unidade prisional do estado, dos quatro pavilhões onde estão encarcerados 900 detentos, três aderiram à greve, totalizando 550 presos sem se alimentar. Os presos costumam fazer quatro refeições por dia em Alcaçuz. É servido pão e café pela manhã e à noite, enquanto as quentinhas são distribuídas no almoço e jantar. "Para não perder tudo, redistribuímos a comida com os 350 presos que estavam comendo normalmente", explica o diretor da unidade, Ivo Freire, que pretende visitar os pavilhões nesta terça para apurar o motivo da greve de fome.

Enquanto isso, na Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, conhecida como Pavilhão 5 de Alcaçuz, 350 dos 400 presos se mobilizaram. Com isso, cerca de 700 quentinhas que seriam servidas no almoço e jantar estragaram. O diretor da unidade, Osvaldo Rossato, não recebeu reivindicações. "Teve esse salve desde cedo, mas o dia foi tranquilo. Não temos notícia do que seja", afirma.

O diretor da Penitenciária Estadual de Parnamirim, Durval Oliveira Franco, informou que também não houve registro de tumulto entre os 497 presos da unidade. "Os dois pavilhões evitaram as refeições o dia todo. O movimento foi meio silencioso. As quentinhas se perderam todas", relata.

Presos da Penitenciária do Seridó, em Caicó,
também aderiram greve de fome (Foto: Ilmo Gomes)

Na Cadeia Pública de Natal, a solução encontrada pelo diretor Eider Pereira de Brito foi doar as refeições para bairros periféricos da cidade. "Os 400 detentos dos dois pavilhões aderiram. Já doamos as sobras normalmente e hoje enviei um agente penitenciário para levar as quentinhas para comunidades carentes", diz. O diretor também informou que vai apurar o motivo da greve de fome com os detentos nesta terça.

De acordo com o vice-diretor da Penitenciária do Seridó, Ednaldo Cândido Dantas, a maior parte da comida estragou. "A carne deu para colocar no freezer e evitar o desperdício", conta. Na unidade, 310 dos 470 apenados não aceitaram as refeições. Participaram da greve de fome os detentos dos dois maiores pavilhões da penitenciária, que possui um total de cinco pavilhões.

A última unidade prisional que teve a greve de fome confirmada foi o CDP de Ceará-Mirim, onde segundo a coordenadora de Administração Penitenciária, Dinorá Simas, 50 presos deixaram de comer.
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