11/03/2014

'Falha de comunicação', diz diretor sobre presas amarradas no RN


Presos estão sendo mantidos no corredor de
delegacia em Macau (Foto: Sinpol/Divulgação)
O coordenador de Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte, major Castelo Branco, classificou como "falha de comunicação" o fato de três mulheres presas serem mantidas amarradas entre os detentos homens no corredor da Delegacia de Macau, na região salineira do estado. 

"Não era para elas terem ficado lá. Tomamos muito cuidado com os casos de mulheres. Era para a Polícia Civil ter nos informado", explica o coordenador, que garante o remanejamento das presas para o sistema penitenciário até as 18h desta terça-feira (11).

O Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública (Sinpol-RN) informou que pelo menos 17 pessoas chegaram a ficar detidas no corredor da delegacia. No entanto, segundo o major Castelo Branco, da relação de 17 pessoas recebida pela Coordenadoria de Administração Penitenciária (Coape) nesta terça, cinco já estavam no Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade, que funciona dentro da delegacia. 

"Na verdade são 12 que precisam de remanejamento, incluindo as três mulheres", afirma.

Das três mulheres amarradas com cordas por falta de algemas, uma está grávida de três meses e outra amamentando. O bebê é levado para dentro da unidade pela família da presa.

A retirada de duas mulheres, segundo Castelo Branco, está autorizada desde segunda-feira (10). "A outra autorizei nesta terça", acrescenta. As duas primeiras serão levadas para o Centro de Detenção Provisória Feminino de Parnamirim, na Grande Natal, enquanto a outra vai para a ala feminina do Presídio Pereirão, em Caicó, na região Seridó.

Nas contas do coordenador da Coape, dos nove restantes, cinco estão foragidos de unidades prisionais de Natal, Parnamirim e Mossoró. Castelo Branco explica que eles retornarão para os locais de onde fugiram. Os outros quatro detentos serão remanejados para presídios em Caicó e Caraúbas.

"Muito homem, tudo misturado"


Em vídeo gravado pelo Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública do Rio Grande do Norte (Sinpol-RN), uma das mulheres que está presa amarrada com cordas no corredor da Delegacia de Macau diz que está sendo tratada como animal. Grávida de três meses, ela afirma que está presa há 17 dias e que desde então dorme no chão, ao lado de homens e mulheres.

"Tem muito homem aqui, todo misturado. Eu tô presa aqui há 17 dias, sem consulta, dormindo quase na rua, sem condições de usar o banheiro. Estamos aqui como bicho, amarrados com corda", disse a detenta.

Outra presa diz que está amamentando. "Meu menino tá em casa jogado com um menino de treze anos de idade porque a minha menina de 17 anos trabalha e não pode olhar. O de 13 anos nem indo pro colégio tá porque não tem quem faça comida pra ele ir", disse. Ela afirmou ainda que familiares levam o bebê para ela amamentar dentro da DP.

Macau fica no litoral Norte potiguar (Foto: Arte/G1)
A situação na Delegacia de Polícia Civil de Macau foi denunciada na manhã desta terça-feira (11) pelo Sinpol. Diretores do sindicato estiveram no local, fizeram fotos e vídeos e informaram o caso ao Ministério Público Estadual e ao Poder Judiciário. “O Sinpol vai pedir a retirada imediata dos presos da delegacia de Macau. Caso os presos não sejam transferidos, os policiais vão abandonar o prédio e se apresentar na sede da Delegacia Geral de Polícia”, informou a assessoria do sindicato.

"Essa situação é insustentável. Os policiais estão correndo risco. Pode haver uma rebelião a qualquer momento", disse Francisco Alves, um dos diretores do Sinpol.

O diretor de Policiamento no Interior, delegado José Carlos Oliveira, confirmou ao G1 que oficiou nesta segunda-feira (10) a Coordenadoria da Administração Penitenciária (Coape) da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) para que providencie o remanejamento dos presos. “Estamos aguardando agora a ação da Coape”, corroborou.

A delegacia de Macau possui uma carceragem com capacidade para 30 presos e está lotada. De acordo com o Sinpol, a maioria dos presos que estão no corredor foi presa por furto ou posse de drogas.
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