13/01/2014

Quadrilha que age sem violência levou R$ 300 mil de banco no RS


Estimulados por falhas na segurança da estrutura interna das agências, ladrões que atacam sem violência escolheram bancos do Rio Grande do Sul para furtar dinheiro

sem serem notados. Eles entram, distraem funcionários e saem levando malotes com até R$ 300 mil. Sem usar armas, como mostram os vídeos dos bandidos em ação exibidos pelo Fantástico.

No Rio Grande do Sul, pelo menos três quadrilhas fizeram ataques a agências nas cidades de Porto Alegre, Tramandaí, Montenegro, Santa Maria, Santa Rosa, São Borja, Alegrete e Uruguaiana, além de tentativas em São Gabriel e Rosário do Sul. Casos também foram registrados no Paraná, São Paulo, Ceará, Pará, Mato Grosso, Santa Catarina, Piauí e Bahia.

O modo de agir é sempre o mesmo: os ladrões entram na agência como se fossem clientes. Enquanto parte do bando distrai funcionários-chave dos bancos, como supervisores, caixas e tesoureiros, outro integrante da quadrilha, o chamado “maloteiro”, acessa as áreas restritas recolhendo todo o dinheiro que encontra. Ao saírem dos prédios, um dos bandidos ainda distrai o segurança que está próximo da porta giratória, finalizando o roteiro.

“Parece mesmo uma cena de filme, um teatro mesmo”, diz uma bancária.

Em Santa Maria, na Região Central, foram levados R$ 300 mil de uma agência do Banco do Brasil em setembro. Nesse caso, o “maloteiro” levou exatos 36 segundos para entrar na área restrita e sair de lá com o dinheiro. 

Segundo a investigação, o grupo ainda não identificado praticou uma tentativa em Curitiba, antes de seguir de carro para o Rio Grande do Sul.

Em Montenegro, de onde foram levados R$ 120 mil em dezembro 2012, os bandidos adotaram a mesma tática. Em Tramandaí, o prejuízo ficou em R$ 19 mil. O ataque mais inusitado, porém, ocorreu em outubro de 2013 em Uruguaiana, na Fronteira Oeste do estado.

A quadrilha liderada pelo pernambucano Walter Feliciano da Silva, 45 anos, preso pela Polícia Federal gaúcha na última sexta-feira (10) em Itajaí, Santa Catarina, escolheu como alvo uma agência da Caixa Econômica Federal. Primeiro, um ladrão tentou “pescar”, sem sucesso, o malote que estava ao lado do caixa. Depois, outro integrante do grupo conseguiu pegar R$ 16.834,00, esticando o corpo sobre o balcão e pegando malote.

Usando a mesma tática, os ladrões levaram R$ 1.944,00 de uma agência de Caixa em Alegrete. Além de Silva, três suspeitos foram identificados pela investigação da Polícia Federal, mas dois seguem foragidos. Parte da quadrilha também teria ligação com ataques ao Banco do Brasil e Bradesco de Santa Rosa, no Noroeste do estado, segundo o delegado Ubirajara Dihel.

“Evidentemente que eles têm um roteiro traçado. E esse roteiro poderá ter alguma alteração, alguma adequação, conforme o momento”, afirma.

Na última quinta-feira (9), em Porto Alegre, parte dessa quadrilha atacou uma agencia do banco Santander, no centro da capital gaúcha, levando, segundo depoimento de um funcionário, R$ 27 mil. Como telefones de integrantes do grupo estavam sendo monitorado, os policiais descobriram que a quadrilha estava hospedada em um hotel, no centro da cidade.

A Delegacia de Roubos e Extorsões da capital, então, foi acionada. E conseguiu prender três ladrões, um deles goiano e dois, mineiros. No quarto em que estavam, foram encontradas roupas usadas durante os ataques e dinheiro. No celular, uma mensagem da esposa de um deles alertava para as chamadas da reportagem que seria exibida três dias depois, pelo Fantástico.

Um dos suspeitos, o goiano Adailton Gomes de Alenquer, tentou demonstrar constrangimento ao ser algemado. “Minha família não pode ver isso, não, pelo amor de Deus. Que vergonha, eu nunca fui preso na minha vida”, balbuciou, em cena de choro.

Esse tipo de ataque expõe a fragilidade da segurança nas áreas restritas das agências, as chamadas tesourarias. Muitas vezes, as portas ficam abertas, facilitando o acesso dos ladrões. Não há trancas, sistema de senhas ou leitura biométrica.

O funcionário de um banco diz que é comum as pessoas acessarem esses locais, imaginando se tratar do banheiro. “Como o acesso era livre, era rotina clientes entrarem lá trás. Não era de surpresa, não era uma coisa que não acontecia”, disse o bancário.

Em nota, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) afirma que esse tipo de furto não é frequente. As agências, diz o texto, controlam o acesso a áreas restritas e os funcionários são treinados para observar procedimentos de segurança. A nota diz também que estabelecimentos comerciais com grande fluxo de pessoas estão sujeitos a esse tipo de ocorrência.
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