07/01/2014

Mesmo interditado, Morro do Careca vem sofrendo degradação popular


Visitantes não respeitam proibição de subir no cartão postal mais conhecido de Natal, que sofre com descaso 

Pequena placa avisa sobre a proibição, mas turistas continuam “escalando” o cartão postal. Foto: Wellington Rocha

O Morro do Careca, um dos principais cartões postais da cidade, vem sofrendo degradações por parte dos frequentadores da praia de Ponta Negra. Turistas desavisados sobem o morro em busca de aventura ou de um registro da bela paisagem que o morro proporciona, infringindo assim a Ação Civil Pública de 1997, que proíbe a subida.

Para alguns turistas, a proibição da subida do morro pode até ser uma forma de preservar o patrimônio natural, mas eles se sentem frustrados por não poder subir. “A gente não sabia que era proibido subir o Morro, mas eu acho que não deveria ser. Queremos subir para tirar fotos e apreciar a vista e não podemos. Se é uma questão de preservação deveria proibir também o passeio de buggy nas Dunas de Genipabu”, disse a cabeleireira de Apodi, Cássia Freire.

A paulista Amanda Pontes, disse não ter gostado de chegar ao Morro e ser impedida de subir. “Há muitos anos vim aqui e subi o Morro, tirei muitas fotos bonitas, mas hoje não podemos fazer isso. Acho muito injusto”.

De acordo com a Companhia de Policiamento Ambiental (Cipam), quando os turistas começam a subir o Morro são abordados pelos policiais ambientais. Eles conversam com eles, explicando que por questões ambientais eles não podem subir. “É mais uma ação de educação ambiental, aí não é aplicada uma multa. A multa só é aplicada quando é constatado o dano ao meio ambiente, como a retirada de areia do local. Caso o dano seja constatado, é dado voz de prisão e o indivíduo é encaminhado à delegacia para que seja autuado por dano ao meio ambiente”, afirmou o Subcomandante da Cipam, Tenente Márcio Lima.

O estudante carioca, André Nogueira, atentou para a falta de informação em relação à proibição. “Quando cheguei aqui em Natal não sabia que era proibido subir, quando vi a cerca deduzi que não podia. A placa que informa a proibição é muito pequena, deveria ser maior e os turistas que chegam aqui deveriam ser orientados antes sobre os motivos da proibição, evitando assim, o constrangimento de serem abordados pelos guardas ambientais”.

A cerca que circunda o morro é de responsabilidade do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), mas a responsabilidade de fiscalização do Morro do Careca é da Companhia Independente de Policiamento Ambiental (Cipam). Enquanto a equipe de

O Jornal de Hoje estava no local, não foi visto nenhum policiamento. No entanto, comerciantes e frequentadores da praia disseram que todos os dias policiais ambientais cumprem expediente no Morro.

O tenente Márcio Lima não soube precisar a ausência dos policiais, mas afirmou que há sim fiscalização no Morro. “Mantemos fiscalização 24h no local, com o objetivo de evitar a subida de desavisados no Morro. Não posso lhe dizer no momento o porquê de não haver policiais na hora em que estavam lá, mas provavelmente a equipe estava em alguma ocorrência”.

A Cipam informou que a proibição do Morro do Careca foi determinada em 1997, por uma ação impetrada através do Ministério Público. “O objetivo da ação foi impedir que o Morro fosse danificado, pois a subida das pessoas estava prejudicando local. A medida que as pessoas subiam, elas jogavam a areia para o mar, gerando dano ecológico ambiental”, afirmou o Tenente Márcio Lima.
Fonte:Jornal Hoje
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