Cerca de cem pessoas, incluindo parentes e amigos da menina Bruna
Silva Ribeiro, de 10 anos, morta por uma bala perdida na sexta-feira,
durante tiroteio entre traficantes e PMs do Batalhão de Operações
Especiais (Bope), realizaram na manhã deste domingo uma manifestação na
Estrada de Botafogo, em Costa Barros, na Zona Norte do Rio.
Ademir
Santos, de 36 anos, pai da menor assassinada e o irmão dela, de 6 anos,
usaram camisas com a foto da menina e uma mensagem, que dizia: "Há
tempos atrás você viveu presente em nossas vidas, agora vive eternamente
em nossos corações".
A irmã, Bianca Rodrigues da Silva, de 13 anos, estava inconsolável.
-
Eu não acreditei quando eu soube que minha irmã morreu. No dia a gente
discutiu porque eu sujei uma coisa que ela estava limpando. Fiquei com
remorso. Estava na casa de um vizinho quando soube, e logo senti que
tinha sido alguém da minha família.
Com apito e cartazes, os manifestantes pediram paz e o fim da
violência. Crianças e amigos da menina usaram mordaças e mãos atadas
numa dramatização para o protesto. A Ong Rio de Paz também participou do
movimento, junto com a união de igrejas evangélicas de Costa Barros.
-
É pra mostrar que as pessoas da comunidade não são ouvidas. Não importa
de onde partiu o tiro, a morte aconteceu durante um período de férias,
quando muitas crianças estão na rua. Mais importante do que prender
bandido é preservar a vida de pessoas inocentes - explica Antônio Carlos
Costa, presidente do movimento Rio de Paz.
Foto: Fábio Guimarães
Bruna foi baleada na tarde da última sexta-feira, durante uma
operação do Bope no Morro da Pedreira, em Costa Barros. A menina morreu
às 21h30m, no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes.
0 Comentários